Pretendentes à Adoção e Profissionais das Varas

Apresentação Ladrilhar

Os atendimentos do projeto Ladrilhar têm um ciclo de 01 ano, a partir do momento em que os atendimentos foram iniciados. Com as inúmeras mudanças na vida das crianças, como o fim do acolhimento e aproximação com uma nova família, ou mesmo mudanças no acompanhamento pela Vara/SAICA, é preciso estabelecer novos combinados para a continuidade do atendimento. 

Para facilitar a compreensão do atendimento e os motivos que indicam a importância de sua continuidade, trazemos alguns pontos importantes, em especial, para os pretendentes à adoção e profissionais das Varas e Serviços de Acolhimento.

Quem são as crianças atendidas?

As crianças atendidas pelo projeto Ladrilhar são crianças em acolhimento institucional e que encontram-se em sofrimento em razão das inúmeras questões que atravessaram suas vidas: destituição do poder familiar, acolhimento institucional, afastamento de familiares e irmãos,  processos de aproximação para a adoção, tentativas frustradas de adoção, adoções inter-raciais. 

Quem são as psicólogas que realizam os atendimentos?

As psicólogas do projeto Ladrilhar são psicólogas formadas, profissionais que têm interesse na temática da adoção, acolhimento e clínica com crianças, e que estão em formação ou já concluíram o curso do Ladrilhar. As profissionais são acompanhadas semanalmente por nossas supervisoras, especialistas na temática de adoção e infância. Você pode conhecer as psicólogas participantes do projeto no Instagram do Ladrilhar e aqui no site.

Quem são as supervisoras e supervisores dos casos?

  • João Paulo Fernandes Barretta – Doutor em psicologia clínica (PUC-SP) com pós-doutorado em filosofia (UNICAMP), tem experiência em clínica psicanalítica há mais de 20 anos, professor do curso de formação em Psicanálise do Núcleos desde 2018 (CRP 06/55932)
  • Liziane Guedes da Silva – Doutora em psicologia (UFRGS), com tese sobre adoção inter-racial, Psicóloga clínica e social (CRP 07/29279), com ampla experiência em adoção, acolhimento e clínica com crianças negras e em contexto de vulnerabilidade socioeconômica. 
  • Priscila N. David – Psicóloga clínica e psicanalista (CRP: 06/111976), coordenadora do Grupo de Pesquisa das Infâncias e Juventudes da Rede Clínica do Laboratório Jacques Lacan IP-USP, com ampla experiência no atendimento de crianças e adolescentes.

Qual a importância dos atendimentos para as crianças?

Estudos no campo do acolhimento e adoção apontam que as rupturas de vínculos produzem marcas emocionais importantes nas vidas das crianças e adolescentes. Nesse sentido, para que a criança elabore suas experiências e se permita ser adotada, é necessário que ela possa tratar das experiências difíceis relacionadas à separação com a família de origem, o período do acolhimento institucional e as questões em torno da chegada na nova família. Dito isto, o acompanhamento psicológico com profissionais qualificados para casos de adoção é de grande importância no período da aproximação, convivência e especialmente no período pós-adoção. No Ladrilhar compreendemos a adoção como um processo a longo prazo, que não se encerra com a sentença de adoção ou a nova certidão da criança, entendemos a adoção como uma experiência de vida toda, e que pode exigir um cuidado maior a longo prazo. Trabalhamos, ainda, com a ideia da perspetiva adotiva, apostando na necessária escuta das pessoas que já vivenciaram a adoção para a construção deste trabalho. Ainda, em razão das muitas rupturas de vínculos vivenciadas por estas crianças, apostamos na continuidade dos trabalhos de atendimento como forma de cuidado na transição de cuidados e novo momento de vida das crianças.

Qual a importância dos atendimentos das crianças para o vínculo com os pretendentes?

Estudos no campo da parentalidade apontam que a experiência de formar família pela via adotiva costuma trazer desafios aos pretendentes. Seja por ser uma experiência distinta da parentalidade consanguínea, seja pela espera por tempo indeterminado na fila de espera da adoção, seja pelo estigma da sociedade brasileira diante da adoção. Todos esses aspectos podem dificultar a construção de vínculos na adoção também por parte dos pretendentes, por mais que a filha ou filho seja muito desejado e esperado. Por isso, o acompanhamento psicológico com profissionais qualificados para casos de adoção para os pretendentes também é de extrema importância, visando garantir um espaço seguro para falar do processo de tornar-se pai e mãe pela via adotiva. O projeto Ladrilhar pode auxiliar os pretendentes na busca por profissionais qualificados, caso necessário, e produzir diálogos e ampliação de estratégia de cuidados no acompanhamento das famílias. 

Quais as mudanças no projeto ladrilhar quando inicia o estágio de aproximação?

Quando o estágio de aproximação é iniciado, sugere-se a continuidade do atendimento semanal e o repasse das informações de aproximação com novos pretendentes para a psicóloga do caso. Nesse período, os pretendentes e a psicóloga podem agendar uma entrevista inicial, para se conhecerem e apoiarem o processo de aproximação com a criança, já alinhando possíveis questões para o estágio de convivência. 

Quais as mudanças no Projeto Ladrilhar quando inicia o estágio de convivência? 

Quando o estágio de convivência é iniciado, orienta-se que pretendentes e psicóloga permaneçam em contato frequente, dando continuidade ao atendimento semanal. Nesse período é ainda mais importante que o espaço terapêutico da criança seja mantido, oportunizando o cuidado em torno do processo de chegada em uma nova família. Considerando que grandes mudanças acontecem nesse momento, como saída do SAICA, afastamento das educadores e demais crianças e adolescentes com os quais conviviam, bem como mudança de bairro, escola, etc., sugere-se que o vínculo com a psicóloga seja mantido, de modo que a criança siga sendo atendida por uma profissional que a criança já conhece e tem vínculo. 

Diante disso, sugere-se que a partir desse momento, pretendentes e psicóloga façam um novo combinado, um novo contrato, a respeito do tratamento. Neste contrato, recombina-se:

  • A modalidade do atendimento:
    • Presencial: de acordo com as possibilidades de deslocamento dos pretendentes ao local em que a psicóloga atende, ou de acordo com ajustes de local de atendimento em casos de grandes distâncias geográficas; 
    • On-line: possibilidade somente para crianças maiores, conforme definição da psicóloga do caso.
  • A periodicidade do atendimento: os atendimentos são realizados semanalmente. As entrevistas com os pretendentes são combinadas de acordo com as definições da psicóloga do caso. 
  • O investimento financeiro no atendimento: o projeto Ladrilhar atuou por meio de atendimento voluntário, ao longo de um ano, considerando o contexto inicial em que as crianças estavam no SAICA. Quando a convivência inicia, sugere-se que seja rediscutido e recombinado pelos pretendentes e psicóloga do caso o investimento financeiro no atendimento. Isto é, talvez a nova família reúna condições financeiras de passar a investir no atendimento psicológico, se esse for o caso, indica-se que o atendimento passe a ser remunerado, a partir do estágio de convivência, permitindo também que a psicóloga amplie as estratégias de cuidado e se envolva com o novo contexto da criança, apoiando-a e à família no processo. 
  • Observação importante: Para as crianças que ainda não tenham concluído um ano de atendimento voluntário, considerando a data de início dos atendimentos, o atendimento será mantido mesmo que a família não reúna condições de remunerar o atendimento, até o período total de um ano.