O curso Ladrilhar

O curso Ladrilhar tem como objetivo principal qualificar o debate interdisciplinar sobre o acolhimento institucional, a destituição do poder familiar e a adoção, desde uma perspectiva crítica e comprometida com os direitos humanos. Propõe-se a:
- Fortalecer a atuação de profissionais da saúde mental, assistência social, direito e áreas afins, a partir de referenciais teóricos e experiências de campo.
- Produzir deslocamentos nos discursos naturalizados sobre abandono, negligência, filiação, pertencimento e adoção.
- Incentivar práticas de cuidado, supervisão e escuta qualificada no trabalho em rede.
- Analisar os efeitos subjetivos das decisões institucionais e jurídicas sobre crianças, adolescentes e suas famílias.
- Questionar os sentidos da proteção e da destituição, escutando seus atravessamentos sociais, raciais, de gênero e de classe.
- Construção de uma rede profissional e de pesquisa com um olhar crítico, amparada na perspectiva adotiva, para o cuidado

Metodologia
O curso Saúde mental de crianças e adolescentes em contexto de acolhimento institucional, destituição do poder familiar e adoção conta com 48 horas teórico-práticas (obrigatórias), 48 horas de prática clínica (opcionais, conforme inscrição) e 96 horas de supervisão clínica (obrigatórias para quem oferecer atendimento).
Cada encontro combina exposições teóricas, estudos de caso, análises de materiais técnicos e jurídicos, debates com convidadas e convidados e exercícios de escuta das práticas profissionais dos participantes.
O Ladrilhar aposta numa metodologia participativa e dialógica, valorizando os saberes construídos na experiência concreta dos territórios e dos serviços. A proposta é sustentar um espaço de formação contínua, que abra lugar para o compartilhamento de dilemas, afetos, estratégias e resistências.
Módulo 1 – Acolhimento institucional, saúde mental e atuação profissional
Eixo temático: Saúde mental, infância e família na política de assistência social
Este módulo introduz os marcos históricos e políticos do acolhimento institucional no Brasil e propõe refletir sobre os efeitos subjetivos dessa medida. São debatidas as práticas e discursos que constroem a ideia de “família substituta”, os desafios enfrentados nos serviços de acolhimento e os cruzamentos entre infância, risco, vulnerabilidade e judicialização.
Temas abordados
- História e sentidos do acolhimento institucional
- Políticas públicas e a construção da “família substituta”
- A infância em risco como categoria de gestão da pobreza
- Judicialização da infância e violência institucional
- Desafios cotidianos das instituições de acolhimento
- Supervisão e cuidado em contextos de crise
Módulo 2 – Destituição do poder familiar e adoção: debates críticos
Eixo temático: Disputas morais e institucionais em torno da filiação e do cuidado
O segundo módulo foca nas disputas simbólicas e institucionais que atravessam os processos de destituição e adoção. Parte-se da escuta dos efeitos subjetivos dessas rupturas e da análise crítica dos discursos que justificam a retirada do poder familiar. O módulo tensiona o ideal da adoção como solução universal, convidando ao debate ético sobre os modos possíveis de pertencer, filiar e cuidar.
Temas abordados
- Adoção e direitos das crianças e das famílias
- Destituição do poder familiar: argumentos jurídicos e impactos subjetivos
- O abandono como construção moral e política
- Desejo de filiação, temporalidades do cuidado e políticas de pertencimento
