Ladrilhar

O projeto Ladrilhar: Rede Clínica e de Pesquisa para Cuidado e Garantia de Direitos Adotivos é uma realização do Núcleo de Educação e Intervenção em Direitos Humanos (NEIDE). Selecionado na 2º edição do edital Territórios Clínicos, financiado pela Fundação Tide Setúbal e Fundação José Luiz Egydio Setúbal, conta também com apoio do Laboratório de Psicanálise Jacques Lacan (Lablacan – IP – USP) e do Núcleos Psicanálise.
Ladrilhar é um projeto de formação, articulação e pesquisa que busca sustentar uma escuta atenta e crítica das infâncias marcadas por situações de desproteção social, especialmente nos contextos de acolhimento institucional, destituição do poder familiar e adoção. Seu objetivo é ofertar atendimentos clínicos, por meio de profissionais voluntários, a crianças e adolescentes em acolhimento institucional e em processos de adoção na jurisdição de Itaquera (SP), além de contribuir para a formação profissional e para o debate público mais amplo sobre essas temáticas.
A partir da interface entre saúde mental, justiça e políticas públicas, o projeto propõe pensar coletivamente os impasses, os atravessamentos ético-políticos e os desafios técnicos que envolvem o cuidado, a proteção e as decisões que afetam profundamente a vida de crianças, adolescentes e suas famílias.

Por que Ladrilhar?
Ladrilhar é um verbo que evoca o gesto de pavimentar caminhos, de compor um solo possível a partir de fragmentos. O projeto nasce do desejo de sustentar processos de escuta, cuidado e elaboração com crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional e em processos de adoção. Inspirado na imagem dos mosaicos — feitos de partes únicas, por vezes quebradas, mas que, reunidas com atenção e sensibilidade, compõem novas formas — Ladrilhar afirma o valor de cada história como matéria de construção.
É também uma aposta na formação de profissionais da psicologia, para que possam atuar com ética e compromisso na sustentação desses caminhos, apoiando crianças e pessoas adotadas na composição de seus próprios mosaicos — trajetórias singulares, marcadas por perdas, vínculos reconfigurados e invenções de pertencimento. Ao acompanhar esse processo, os profissionais também são convidados a repensar suas práticas, escutando o que se desloca, o que escapa e o que se reinventa no encontro com essas experiências.
A escolha do nome dialoga com a cantiga popular brasileira “Se essa rua fosse minha”, evocando tanto a experiência da infância quanto a potência de desejar e construir um caminho próprio. A partir dela, criamos uma nova estrofe:
“Se essa história / se essa história é mesmo minha / ela eu posso, ela eu posso / recontar / ir narrando toda singularidade / para o meu, para o meu lugar achar.”
Ladrilhar, assim, é mais que um gesto de cuidado: é um compromisso com a escuta, a autonomia e a autoria — tanto das crianças quanto dos profissionais que caminham ao seu lado.
Estratégias do Ladrilhar
Para atingir seus objetivos o Ladrilhar realiza as seguintes ações:
- O curso Saúde mental de crianças e adolescentes em contexto de acolhimento institucional, destituição do poder familiar e adoção, conduzido pela equipe Ladrilhar e profissionais convidados.
- Construção de uma rede clínica de profissionais da psicologia para atendimentos, a partir de casos encaminhados pela Vara de Infância e Juventude de Itaquera.
- Supervisão clínica semanal da rede de profissionais que atendem as crianças em acolhimento, em grupo e on-line, oferecidas pelo Lablacan-IPUSP e pelo Núcleos Psicanálise.
- Pretendentes à Adoção e Profissionais das Varas.
- Perspectiva Adotiva.
- Produção de eventos e materiais de disseminação e incidência sobre a temática da saúde mental de crianças em acolhimento institucional e em processo de adoção e pessoas adotadas.

